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Prática esportiva: avaliação e liberação de um cardiologista é fundamental para a manutenção da saúde

É inegável a importância que a prática de atividade física (e aqui vale toda e qualquer atividade que tire o corpo de seu estado de repouso) traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental.  

Uma curiosidade sobre o assunto: a caminhada diaria é o primeiro tratamento recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS, sigla em português) em casos de depressão leve, daí entende-se a importância dos exercícios físicos. Mas é preciso compreender que é necessário buscar a avaliação de um médico cardiologista para a liberação da prática esportiva e, agora, te explicamos o porquê. 

Muitos diagnósticos cardiológicos são silenciosos, ou seja, assintomáticos. Isso significa que uma pessoa pode conviver durante anos com uma doença cardíaca sem sequer ter conhecimento sobre ela. Não sabendo sobre, muitos passam a realizar práticas esportivas de alto impacto que resultam em uma sobrecarga natural do coração (que precisa trabalhar mais para o sangue circular em um organismo em movimento) e isso pode ser o precedente para casos, como o dos jogadores Marc-Vivien Foé (2003) e Serginho (2004), que vieram a óbito em campo, após um mau súbito — quase sempre causados por uma doença cardíaca desconhecida e silenciosa.  

Como, então, praticar atividade física com segurança — seja ela de baixo, médio ou alto esforço? A palavra de ordem é uma só: PREVENÇÃO. Nenhuma atividade física — e isso inclui a academia do prédio ou corridas conduzidas por um personal trainer — deve ser feita sem uma avaliação cardiológica.  

Não é incomum que academias peçam um laudo para a liberação da matrícula de novos alunos ou façam exames dentro de suas instalações (e aqui cabe um adendo: ainda que esses exames sejam melhores do que não se submeter a nenhuma avaliação, não são capazes de diagnosticar muitas doenças cardiológicas, que colocam a vida em risco, daí a necessidade de visitar um cardiologista). Mas, infelizmente, também não é incomum que estes mesmos lugares acabem por “fazer vista grossa”, permitindo que seus clientes se exercitem mesmo sem a entrega desses laudos. 

A nossa recomendação é que você não deixe de buscar um exame de avaliação antes de iniciar qualquer atividade física, mesmo sendo uma pessoa jovem. É certo que doenças cardíacas acometem todas as faixas etárias, o que reforça a importância de que mesmo que a pessoa tenha 15 anos, submeter-se a exames cardiológicos (e, vale dizer, não-invasivos) para que a prática esportiva seja realizada com segurança. 

E mais uma vez: exercícios físicos devem fazer parte da sua rotina por ,pelo menos, 150 minutos semanais. Não estamos de maneira alguma incitando você a deixar a prática esportiva de lado, mas queremos que você a faça com toda segurança à sua saúde.  

Se você ainda não realizou nenhum tipo de check-up cardiológico, busque por um agora mesmo. Certifique-se de que sua saúde está em dia para que você possa aproveitar ainda mais a sua rotina de exercícios — e mesmo que você não tenha nenhum caso de familiar que tenha sofrido de alguma condição cardíaca.  

Aos pacientes de grupo de risco o alerta é ainda mais necessário: algumas cardiopatias são congênitas e não descobertas justamente por falta de investigação e podem colocar a vida em risco.  

Peque pelo excesso de zelo: a você e aos que estão ao seu redor. Cuide-se. Agende ainda hoje os seus exames preventivos cardiológicos. E conte com a Sirius para cuidar da sua saúde. Sempre. 

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Conheça as principais doenças do coração 

*Dr. Jeffer de Morais, diretor de Cardiologia Clínica do Grupo Sirius 

Entre setembro de 2020 e setembro de 2021 cerca de 17,5 milhões de pessoas morreram em decorrência de doenças cardiovasculares. No Brasil, são cerca de 50 óbitos a cada 60 minutos pelo mesmo motivo. Uma constatação de um profissional da saúde: muitas dessas mortes poderiam facilmente ser evitadas por meio de um estilo de vida mais saudável. A realidade, no entanto, é outra: cada vez mais as pessoas estão deixando o cuidado de lado e prestando menos atenção em si mesmas. O texto de hoje é um alerta para que você, leitor, não seja mais um número dessa estatística.  

Conhecimento é poder e saber quais são as principais doenças cardiovasculares te dão as ferramentas de como evitá-las. A seguir conheça as cinco principais doenças que afetam o coração e o sistema cardiovascular: 

1- Hipertensão arterial 

“Pressão Alta” é o nome popular para a doença mais comum do coração. Pelo menos 1 bilhão de pessoas no mundo apresentam índices acima dos 130 x 80 mmHg, sendo consideradas hipertensas. Entre os sintomas estão tontura, visão embaçada e dores de cabeça, mas é preciso alertar que ela pode ser assintomática — daí a importância de exames preventivos. 

2- Infarto Agudo do Miocárdio 

O excesso de gordura não impede apenas a passagem da calça jeans nos quadris; pode impedir também que o sangue das artérias chegue ao coração, ocasionando o que popularmente conhecemos como Infarto. Uma alimentação rica em alimentos industrializados e ultraprocessados é o caminho certo para quem busca uma doença cardíaca. Se você não quer fazer parte desse time, aprenda a fazer boas escolhas alimentares.  

3- Insuficiência cardíaca 

O músculo cardíaco de alguns pacientes não tem força suficiente para fazer o sangue circular corretamente pelo organismo, comprometendo a oxigenação celular e a circulação do sangue. Como resultado o paciente sente mais falta de ar — mesmo em repouso e frequentemente apresenta inchaço nos membros inferiores. 

4- Arritmias cardíacas 

Um coração em repouso em um indivíduo saudável de 35 anos bate, em média, entre 60 e 100 vezes por minuto. Esse número é representado pela sigla bpm, ou seja, batimentos por minuto. No entanto, algumas pessoas mesmo em repouso podem estar acima ou até mesmo abaixo desse intervalo esperado.  

Quando o paciente tem até 60bpm é chamado bradicardia, ou seja, batimentos por minuto abaixo do considerado normal. Se está acima de 100bpm, além do intervalo máximo normal, dizemos que o indivíduo apresenta taquicardia. Os dois casos pedem acompanhamento profissional adequado. 

5- Endocardite 

O coração é formado por um tecido interno que pode sofrer com uma séria inflamação causada por fungos e bactérias, a chamada Endocardite. É preciso muita atenção inclusive à saúde bucal dos pacientes. Nossa boca é colônia de bactérias e quando um machucado permite que esses microorganismos circulem pela corrente sanguínea é preciso atenção aos sintomas caso eles se instalem no coração.  

A endocardite mesmo sendo uma doença bem séria tem tratamento, especialmente quando diagnosticada inicialmente. 

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Muito além da praticidade: por que realizar os seus exames dentro de uma clínica?

Há quem acredite que realizar exames laboratoriais, de imagem e diagnósticos sejam apenas questão de praticidade. Não. Existem outros fatores que fazem dessa opção a mais segura e interessante ao paciente e são elas que dividimos por aqui. 

Tempo não é dinheiro para nós do Grupo Sirius, mas é qualidade de vida. Ao realizar os seus exames na mesma clínica em que você faz suas consultas, ganha algo que o dinheiro não pode comprar: tempo aliado à comodidade de não precisar passar horas no trânsito de um local a outro.

E quando ganhamos tempo, adicionamos, também, qualidade de vida. Pense no que você pode fazer com as horas extras que seu dia terá ao realizar seus exames dentro de uma clínica: minutos a mais no sono da manhã, meia hora a mais para caminhar em um parque, tempo a mais para passar com seus filhos, e inúmeras outras atividades que são importantes para a sua rotina.  

O Grupo Sirius pensa na qualidade de vida de seus pacientes e quer ser um facilitador para cada um deles. Por isso, você conta com um time especializado em consultas cardiológicas e vasculares na solicitação de exames clínicos e de diagnóstico em nossas clínicas. 

Em nossas instalações você consegue fazer a consulta com o profissional de saúde de sua confiança e realizar no mesmo dia (este caso para os que não exigem preparação) exames que possam dar mais detalhes sobre o seu estado clínico para realizar a prevenção e o cuidado adequado.  

Nossa equipe é altamente capacitada para a realização dos exames requisitados, aliando conhecimento ao atendimento humanizado que o Grupo Sirius tem como um de seus valores inegociáveis.

Para saber mais sobre o nosso atendimento de exames, consulte nossas unidades. 

6h30: por que este é o horário de maior risco para desenvolver doenças cardiovasculares? 

Muitos estudos são conduzidos em diferentes universidades ao redor do mundo sobre o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e alguns resultados descobertos e divulgados são não apenas interessantes, mas importantes para conhecimento público. Uma dessas informações é o horário de maior risco de um paciente sofrer um infarto ou AVC: 6h30 da manhã. E por que isso acontece? 

A explicação está no que chamamos de Ciclo Circadiano: as respostas físicas, mentais e comportamentais que nosso organismo tem no período de 24 horas. Todas elas estão, em sua maioria, relacionadas à incidência de luz e escuridão.  

Um exemplo que esclarece esse resultado é o porquê sentimos sono quando escurece: a baixa incidência de luz solar faz com que o nosso corpo produza melatonina, hormônio diretamente relacionado ao sono. Além dele, fome, disposição e atenção são outros fatores determinados pelo Ciclo Circadiano. 

Mas e as doenças cardiovasculares, qual é a relação com esse ciclo de 24 horas? De acordo com os estudos, 6h30 é o horário em que a proteína responsável por retardar a degradação de coágulos de sangue, o ativador do plasminogênio inibidor-1 (PAI-1), chega ao pico. É exatamente essa proteína e seu pico no organismo que dão margem à resposta cardíaca que resulta em AVC ou infarto.  

O que é importante frisar aqui é que esses estudos apontam ser esse o horário de maior risco de um AVC ou infarto e não que esses dois fenômenos acontecem APENAS durante a manhã; uma pessoa pode passar por um desses eventos a qualquer hora do dia, especialmente se fizer parte de um grupo de risco. 

Prevenção, vale dizer, é a palavra chave. Cuide da sua alimentação, pratique atividade física diariamente, dê atenção ao seu sono e faça escolhas saudáveis. Não existe melhor remédio que a prevenção. Sempre. 

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Machine Learning: tecnologia aliada à medicina para promover ainda mais a saúde 

Não faz muito tempo que pensar em Inteligência Artificial parecia ser apenas uma realidade existente nos filmes de ficção científica. Mas a verdade é que essa tecnologia “invadiu” o mundo real e tem sido aliada em diferentes áreas, uma delas a Medicina.  

O termo “Machine Learning” já não é mais tão desconhecido, inclusive a muitos profissionais de saúde. Para quem ainda não teve contato com esse universo, ajudamos: “machine learning” é o nome dado para o desenvolvimento de softwares de aprendizagem que, uma vez carregado por dados, consegue fazer por si só a análise e interpretação do que foi apresentado. Uma combinação de base de dados e algoritmos cria um ambiente de forma que a máquina pode, sozinha, interpretar resultados e apresentar conclusões. Em alguns casos a ajuda humana é necessária, em outras as máquinas já operam com total independência. 

Se nos filmes de ficção a humanidade é rendida e escravizada pelas máquinas, em nossa realidade as temos como grandes aliadas, especialmente na Medicina. Na área de diagnósticos, por exemplo, usar a tecnologia Machine Learning permite uma triagem mais rápida – e muitas vezes mais precisa – o que pode facilitar os atendimentos emergenciais. E o impacto não é sentido apenas no andar mais rápido da fila de espera, mas na economia dos hospital e clínicas: o tempo de triagem impacta diretamente no número de pacientes atendidos por hora, por exemplo, o que representa certamente impacto nas finanças desses estabelecimentos. 

E não pense que somente a economia se beneficia do Machine Learning afinal, quando falamos em saúde o que importa é, em primeiro lugar, a vida. Com essa mesma tecnologia artificial é possível entender o comportamento de algumas doenças, permitindo avanços importantes com relação à prevenção e combate de alguns diagnósticos.  

Por isso, não se assuste se em algum hospital ou consultório médico você for apresentado a alguma tecnologia que trabalhe com Inteligência Artificial. Encare-a como mais uma ferramenta rumo à manutenção da saúde, prevenção de doenças e, mais do que isso, uma aliada ao seu profissional de saúde de confiança, este sim, não será substituído por máquina nenhuma já que, em Medicina – como em outras áreas da saúde – nada poderá substituir o atendimento humanizado.

Check-up: por que você deixou de fazer durante a pandemia?

“Prevenir é melhor do que remediar”, diz a máxima. Quando se fala em saúde não há prevenção melhor do que a realização de check-ups periódicos, especialmente em pacientes que apresentam risco para o desenvolvimento de determinadas doenças. Ainda que em muitos casos a realização de exames preventivos não impeça o desenvolvimento do diagnóstico, é em exames como estes que se detecta precocemente diversas doenças que apresentam prognósticos positivos de remissão.  

No entanto, uma pesquisa promovida e divulgada em julho de 2021 pelo IBGE constatou que dos mais de 211 milhões de brasileiros, 70,6 milhões não têm o hábito de fazer anualmente seus exames de controle. Este é um índice extremamente alto e que podemos reverter por meio da promoção e conscientização da importância da prevenção. Infelizmente o cenário pandêmico em que estamos inseridos desde o começo de 2020 não contribuiu para a diminuição deste número, pelo contrário: três, em cada dez brasileiros, deixaram o check-up de lado por medo da contaminação em laboratórios e clínicas médicas, de acordo com uma pesquisa promovida também em 2021 pela Ticket.  

Dr Jeffer Morais, diretor de Cardiologia Clínica do Grupo Sirius, atesta na prática o que dizem as pesquisas teóricas: “A experiência de quase dois anos convivendo com as restrições impostas pelo risco de contágio pelo coronavírus mostrou que as pessoas estão deixando de procurar os médicos para exames preventivos — sejam eles cardiológicos, ginecológicos, urológicos evidentemente deixando de fazer diagnósticos importantes e mesmo controles de doenças crônicas como diabetes e hipertensão”. O resultado dessa falta de cuidado é o aumento expressivo de óbitos que poderiam ser evitados por meio desses exames; 32% é o índice de crescimento de mortes em domicílio causadas por doenças cardiovasculares — um número que preocupa cardiologistas e clínicos gerais.  

É preciso que o paciente entenda não só a importância da realização destes exames preventivos (que você pode conferir no box da matéria), mas também sobre as normas rígidas de segurança e higiene que tornam clínicas, laboratórios e hospitais um ambiente seguro para a realização desses exames. “É preciso lembrar constantemente aos pacientes que seguimos em todos os locais que trabalham com saúde uma política rígida de manutenção e limpeza de ambientes e aparelhos — dentro e fora do cenário pandêmico”, explica o Dr. Morais.  

Aliás, especificamente pensando na pandemia do Coronavírus, é preciso exaltar ainda mais a necessidade desses exames periódicos, especialmente para aqueles que já foram acometidos pela doença. “Alguns pacientes que tiveram COVID estão com sequelas que ainda estamos aprendendo com o tempo — a chamada COVID longa. Encontramos algumas alterações cardiológicas, como miocardite, alterações pulmonares e neurológicas que necessitam de exames e equipes multidisciplinares para melhor recuperação”, explica Dr Jeff, que reitera a importância de buscar ajuda profissional mesmo ao menor sinal de um sintoma.  

Fica aqui o nosso alerta: com saúde não se brinca e protelar uma consulta ou exame pode ser a diferença entre a cura ou o agravamento de uma doença. Cuide-se. Faça os exames preventivos pedidos pelo seu médico de confiança. Tenha na Medicina uma aliada não só para a sua saúde, mas para a sua longevidade.  

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Saiba tudo sobre a Amiloidose

O nome complicado refere-se a um diagnóstico raro, mas que atinge cerca de 3 mil pessoas todos os anos somente nos Estados Unidos e que teve a primeira descrição na literatura médica há cerca de 200 anos. Alguns profissionais denominam de “doença”, enquanto outros preferem descrevê-la como uma “condição sistêmica”. Seja qual for a nomenclatura, a amiloidose tem como característica principal o acúmulo de proteínas anormais (amiloides), no corpo. Ao contrário das proteínas normais, elas são insolúveis e podem ser depositadas nos órgãos e tecidos. Os sintomas dependem dos órgãos afetados e podem incluir inchaço, fadiga, fraqueza, falta de ar, dormência e formigamento ou dor nas mãos ou nos pés, etc. Felizmente, cada vez mais tem-se descoberto sobre ela e, quando levada ao público, maiores são as chances de um diagnóstico ainda no início da doença. 

Quando há deposição das fibrilas proteicas no músculo cardíaco, temos a amiloidose cardíaca (também conhecida como síndrome do coração rígido), seu diagnóstico requer alto grau de expertise clínica para que seja feito de forma precoce, pois se não for tratada, pode evoluir de forma progressiva e letal. 

Importante informar que amiloidose não é contagiosa, ou seja, um paciente que é acometido pelo diagnóstico pode, e deve seguir a vida social naturalmente, sem medo de contaminar os demais. Dito isso, o alerta para o desenvolvimento da amiloidose fica para a hereditariedade (quando pessoas da mesma família já apresentaram o diagnóstico anteriormente), idade (a maioria dos casos acomete indivíduos acima de 50 anos), pacientes renais (especialmente aqueles que passaram por diálise prolongada), pacientes com diagnósticos de inflamações crônicas, como artrite e doença de Crohn, além de pacientes diagnosticados com Mieloma Múltiplo. Ao se identificar com esses grupos de riscos, faz-se necessário o controle preventivo a fim de detectar a amiloidose o mais cedo possível. 

As principais repercussões clínicas, que alertam para o diagnóstico, comprometem rins, pulmões e coração e são reconhecidas tardiamente, por isso apresentam pior evolução. 

Como muitas das doenças e condições raras, o diagnóstico da amiloidose pede investigação minuciosa em pacientes sintomáticos, especialmente porque os sintomas são — a princípio — semelhantes ao de tantos outros diagnósticos. Entre eles estão: 

● Perda de peso sem motivo aparente;

● Fadiga mesmo em repouso; 

● Falta de ar; 

● Inchaço nos membros inferiores; 

● Urina espumosa; 

● Formigamento nas mãos e/ou pés; 

● Constipação e diarreia de modo alternado; 

● Aumento da língua; 

● Formação de hematomas sem motivo aparente, especialmente ao redor dos olhos. 

As doenças amiloides são classificadas de acordo com o padrão e a extensão do depósito. Quanto ao padrão, podem ser divididas em adquiridas ou hereditárias. No que tange à extensão, os depósitos dessas proteínas anormais podem ser: localizada, com depósitos presentes em um único órgão ou sistêmica, quando afeta vários órgãos.  

Até o momento, foram identificadas 36 proteínas amiloidogênicas nos seres humanos, das quais 19 associam-se exclusivamente à doença localizada e 14 parecem estar consistentemente associadas amiloidose sistêmica. Curiosamente, pelo menos 3 tipos de proteínas podem ocorrer como depósitos localizados ou sistêmicos.  

O coração é comprometido em 50% dos casos de amiloidose, sendo que, dessas ocorrências, 5% são de forma localizada, ou seja, exclusivamente no sistema cardíaco, sem afetar outros órgãos. 

Os tipos mais comuns de amiloidose costumam ser definidos de acordo com suas proteínas precursoras. É válido ressaltar que a gravidade e a frequência do comprometimento cardíaco variam de acordo com as fibrilas depositadas na estrutura do coração. As mais encontradas na doença cardíaca são a transtirretina (TTR), que pode ser a hereditária ou senil; também chamada de selvagem e a imunoglobulina de cadeias leves (AL).  Assim, existem três tipos de  amiloidose cardíaca:  TTR selvagem, TTR hereditária e AL. 

A amiloidose cardíaca TTR senil é a mais frequente das três, especialmente em idosos e ocorre por anomalias no desdobramento e deposição da TTR, sem envolver mutação. A doença TTR hereditária, por outro lado, é uma doença genética com padrão autossômico dominante, sendo observada em pacientes mais jovens do que naqueles com a forma senil. 

Também chamada de primária, a amiloidose AL é a forma mais comum da doença sistêmica e está associada a um defeito na produção de imunoglobulina pelos plasmócitos. Pode ocorrer espontaneamente, mas é habitualmente associada a outros distúrbios sanguíneos, como mieloma múltiplo. 

O diagnóstico de amiloidose é baseado na demonstração histológica do depósito tecidual de amiloide por meio de coloração específica e é classicamente realizado pela coloração com vermelho-Congo, que, sob microscopia polarizada, apresenta uma birrefringência verde. Nem sempre as fibrilas amiloides são identificadas à microscopia eletrônica e, na verdade, seu achado isolado também não permite a confirmação diagnóstica. 

A biópsia deve ser preferencialmente realizada no órgão suspeito de infiltração amiloide, levando em consideração os riscos de complicações relacionadas a sangramento, a biópsia de reto ou de gordura subcutânea são as menos invasivas, com positividade de mais de 90% tanto nas formas primárias quanto secundárias. Outros sítios passíveis de biópsias são a gengiva e a medula óssea, que possuem sensibilidades de 80% e 50%, respectivamente. O uso de anticorpos dirigidos contra as proteínas fibrilares amiloides, por imunofluorescência e imunoperoxidase, pode facilitar a sua identificação. Porém, a positividade à imuno-histoquímica do amiloide não constitui método isolado de diagnóstico, havendo também a necessidade da confirmação pela coloração com vermelho-Congo. 

Mesmo rara, a amiloidose tem tratamento — especialmente quando descoberta ainda em fase inicial — consiste em controlar os sintomas que trazem mal-estar ao paciente e interromper a produção da proteína que causam a doença. 

Até o momento, a história natural da amiloidose sistêmica apresenta prognóstico e desfecho ruins, principalmente devido ao início tardio do tratamento. O reconhecimento precoce dessa doença, prevenindo o depósito de amiloide nos órgãos, é um dos fatores mais importantes para sua boa evolução. 

Os tratamentos disponíveis variam de acordo com a sintomatologia ou quadro clínico, a idade e até mesmo o tipo de proteína amiloide predominante. Drogas utilizadas na insuficiência cardíaca; uso de marca-passo nos distúrbios de condução; quimioterápicos para dissolução dos depósitos existentes e a redução da formação dos amiloides são opções nos casos de amiloidose cardíaca. 

É importante realizar o tratamento indicado pelo profissional de saúde não só para impedir maiores danos ao órgão ou sistemas afetados, mas também para promover mais qualidade de vida ao paciente. 

7 mitos sobre doenças cardíacas

*Dr. Jeffer de Morais, diretor de Cardiologia Clínica do Grupo Sirius 

Quando se fala em doenças cardiovasculares existem muito mais mitos do que verdades por aí. Parte deles surgem quando “um amigo me disse que ouviu de uma outra pessoa que tem um conhecido que trabalha com um médico da Universidade X”. Aos profissionais da saúde cabe derrubar o que é mito e trazer a verdade para a superfície, que é o que faremos a seguir, com sete mitos sobre doenças cardiovasculares. 

MITO 1: APENAS OBESOS PODEM DESENVOLVER DIAGNÓSTICOS CARDÍACOS 

A verdade é que obesidade é apenas um fator de risco a mais no desenvolvimento de diferentes diagnósticos cardiovasculares e pode, sim, contribuir para que eles apareçam. Mas é errado dizer que APENAS obesos podem, por exemplo, infartar. Pessoas sem comorbidades também infartam. 

MITO 2: COM CERTEZA SEREI HIPERTENSO PORQUE TENHO CASOS NA FAMÍLIA Genética é fator para desenvolvimento da doença, mas certamente não é o único e nem o principal. 

MITO 3: DESCANSAR E NÃO FAZER NADA É O MELHOR REMÉDIO PARA O CORAÇÃO 

Descanso é diferente de sedentarismo. Você pode descansar caminhando no parque, praticando natação, passeando com o seu cachorro, dançando em casa. Descanso não significa sentar por horas à frente da televisão; descanso significa pausa nas atividades que causam estresse, e não inatividade física. Sedentarismo, diga-se de passagem, é uma das principais causas de diagnósticos cardiovasculares. 

MITO 4: MULHERES MORREM MUITO MAIS DE CÂNCER DE MAMA DO QUE DO CORAÇÃO 

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, dados de 2020, cerca de 54% das mulheres que vêm a óbito são por conta de doenças cardiovasculares, contra 14% de mortes oriundas do câncer de mama. Curiosamente, quando questionadas sobre como acreditam que vão morrer, 65% das mulheres respondem “câncer” contra 15% que afirmam que morrerão por doenças cardíacas. 

MITO 5: MORTE SÚBITA ACONTECE APENAS COM QUEM JÁ TEM CONDIÇÕES CARDÍACAS PRÉ-EXISTENTES 

Grande parte das chamadas mortes súbitas acontecem com pessoas saudáveis, sem que nenhum diagnóstico tenha sido fechado em exames preventivos. Algumas dessas mortes, inclusive, acontecem em bebês de até dois anos de idade, sem causa aparente. 

MITO 6: PACIENTES QUE SOFREM COM ARRITMIAS CARDÍACAS NÃO PODEM PRATICAR ATIVIDADE FÍSICA 

Não só podem como devem. A única questão a se prestar atenção é que um médico cardiologista deve avaliar o paciente, indicar qual é o tipo de atividade física que ele pode fazer e acompanhar de perto a evolução e saúde cardíaca dele. 

MITO 7: UMA PESSOA QUE SOFRE UMA PARADA CARDÍACA VAI MORRER 

Nem toda parada cardíaca é fatal. As chances de sucesso de sobrevivência do paciente são maiores quando o socorro é imediato. Cada segundo conta, realmente; a cada minuto de atraso na ajuda ao paciente ele perde 10% de chance de sobrevivência, daí a importância de lugares públicos terem desfibriladores portáteis, por exemplo. 

Coração: que órgão é esse?

*Dr. Jeffer de Morais, diretor de Cardiologia Clínica do Grupo Sirius 

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”. “Eu sei essa música de cor”. “Só se vê o bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”. Poderíamos citar inúmeras frases, reflexões e poemas envolvendo o coração, órgão que muitos relacionam diretamente ao amor e às emoções. Mas o coração vai muito além da emoção; ele é fundamental para a nossa sobrevivência.  

45 segundos. Esse é o tempo que o sangue demora para percorrer todo o organismo, fruto da batida do coração. Sem o sangue circulando não conseguimos manter a oxigenação celular, não mantemos a temperatura do corpo e, portanto, não nos mantemos vivos. Ainda que seja composto por tecido muscular, o correto é dizer que o coração é um órgão e não apenas músculo. Ele está localizado no centro da cavidade torácica, levemente inclinado para a esquerda, em uma região denominada mediastino. Sim, você leu corretamente: o coração fica no centro do peito, contrariando a famosa música que diz que “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”. A forma anatomicamente correta seria “amigo é coisa pra se guardar no mediastino do peito”, mas talvez a licença poética permite esse “erro”. 

Dividimos o coração em quatro partes: dois átrios e dois ventrículos, sempre usando a denominação direita e esquerda para melhor compreensão. Na metade direita deste órgão circula apenas sangue venoso (rico em dióxido de carbono e pobre em oxigênio) e na parte esquerda circula apenas sangue arterial (rico em oxigênio a ser transportado ao resto do corpo). A distribuição e passagem correta desses dois tipos de sangue é coordenada por meio de válvulas que abrem e fecham em um meticuloso “ballet” que permite que os sangues não se misturem e nem sejam distribuídos erroneamente.  

E ainda que seja um órgão aparentemente simples, é complexo em suas funções e vital para a nossa sobrevivência. E ainda assim, tão negligenciado: a cada 90 segundos morre no Brasil uma pessoa decorrente de problemas cardíacos. Muitos deles, evitáveis. Esse é um dado que temos o poder de mudar e para isso basta mais cuidado. Cuidado com a alimentação, com o estresse, com a qualidade do sono. Cuidado com a atividade física (sempre tão deixada de lado).  

Autocuidado e alto cuidado. O coração agradece e pulsa. Por você e pra você. Cuide bem dele. 

Cuidar do seu coração é mais fácil do que você pensa, acredite

*Por Dr. Jeffer de Morais, diretor de Cardiologia Clínica do Grupo Sirius 

Quando falamos em saúde cardíaca é muito comum relacionar a assuntos complexos, que envolvam diagnósticos difíceis, procedimentos delicados e risco de morte. Como profissional da saúde afirmo: é completamente o contrário.  

Cuidar da saúde do coração é, claro, realizar anualmente exames preventivos — cardiológicos e gerais, mas vai muito além. Arrisco a dizer que exames preventivos te ajudam a chegar ao diagnóstico para que o tratamento tenha mais chances de sucesso, mas não impedem que você desenvolva qualquer tipo de diagnóstico. O que é, então, de fato funcional quando se fala em cuidado com a saúde? Tudo aquilo que você pratica — ou deixa de praticar — no seu dia a dia. Estudos que são conduzidos em diversas universidades renomadas ao redor do mundo já comprovaram o que muitos médicos já observavam na prática: o estilo de vida impacta diretamente na saúde física e mental de cada paciente.  

Estilo de vida vai muito além dos seus padrões financeiros e hábitos de consumo, como muitos pensam. O termo “lifestyle” passou a ser usado erroneamente na definição de poder aquisitivo quando, na verdade, deveria se relacionar apenas aos seus hábitos. Na Medicina, o termo já vem sendo aplicado como Medicina do Estilo de Vida e baseia-se em seis diferentes pilares, coincidentemente (ou não), os mesmos que atuam diretamente na saúde do coração: 

– Alimentação: “desembale menos, descasque mais” é o lema a ser seguido por aqueles que desejam uma alimentação saudável de fato. Inserir o máximo de alimentos in natura e deixar de lado os ultraprocessados ou industrializados auxilia na manutenção do músculo cardíaco e suas funções; 

– Higiene do Sono: experimente deixar uma máquina funcionando sem parar, sem descanso. Certamente, sua vida útil será menor do que aquela que é desligada ao fim do dia. O mesmo vale para o nosso organismo; o sono é o momento em que o corpo se recupera da correria do dia, descansa a mente e se carrega para a jornada no dia seguinte. Uma higiene do sono sem qualidade faz com que os sistemas não consigam o repouso que precisam e isso pode afetar o coração; 

– Manejo do estresse: o estresse é inerente à vida moderna, mas pode ser controlado. Em excesso, afeta a pressão arterial e os batimentos cardíacos, por isso é preciso cuidado. Evite se colocar em situações de estresse extremo e quando elas acontecerem, respire fundo e controle-se; 

– Controle de tóxicos: tabaco e álcool são inimigos da vida saudável, especialmente quando consumidos sem moderação. Um cálice de vinho realmente não faz mal a ninguém, mas o mesmo não pode se dizer sobre uma garrafa inteira. Parcimônia no consumo de álcool. O cigarro? Você pode viver sem ele; 

– Prática de atividade física: experimente tentar ligar um carro que ficou por muitos meses parado. Certamente você não conseguirá ou precisará de inúmeras tentativas. A bateria pode, por exemplo, arriar. O mesmo acontece com o nosso corpo. Precisamos de movimento, de atividade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 150 minutos de atividade física semanal. Divida pelos sete dias da semana e temos pouco mais de 21 minutos de atividade por dia. Vinte minutos a menos na televisão podem impedir que você sofra um infarto no futuro; 

– Relacionamentos interpessoais: “é impossível ser feliz sozinho”, diz a música. Realmente. Solidão já é comprovadamente tão nociva à saúde quanto fumar 15 cigarros em um único dia, revelou um estudo conduzido pela Harvard Medical School. Precisamos, portanto, dar atenção aos nossos relacionamentos e criar laços verdadeiros. Saber que temos com quem contar é,sim, saudável para o nosso coração. 

Não é difícil, portanto, cuidar do coração. É preciso fazer da manutenção da saúde um hábito. Tão comum e essencial quanto escovar os dentes três vezes ao dia.