Janeiro Branco é um convite à reflexão. Um lembrete de que cuidar da saúde mental não é luxo, é necessidade. E quando falamos de emoções, não estamos falando apenas do que se passa na mente. Falamos também do que acontece no corpo, especialmente no coração.
A ciência já deixou claro que emoções não ficam apenas “na cabeça”. Elas ativam respostas fisiológicas reais, mensuráveis e, quando persistentes, potencialmente prejudiciais ao sistema cardiovascular.
Estresse e ansiedade, o corpo em estado de alerta permanente
Situações de estresse e ansiedade ativam o chamado eixo hipotálamo hipofisário adrenal. Esse sistema libera hormônios como cortisol e adrenalina, preparados para situações de emergência.
O problema começa quando esse estado de alerta deixa de ser pontual e se torna constante.
Níveis elevados e prolongados de cortisol estão associados ao aumento da pressão arterial, maior frequência cardíaca, resistência à insulina e alterações no metabolismo lipídico. Estudos recentes publicados no Journal of the American College of Cardiology mostram que pessoas com estresse crônico apresentam maior risco de desenvolver hipertensão, arritmias e doença arterial coronariana.
O coração sente. E responde rapidamente aos excessos emocionais.
Inflamação crônica, o elo silencioso entre mente e coração
O estresse emocional prolongado também estimula processos inflamatórios no organismo. Marcadores inflamatórios como proteína C reativa e interleucinas tendem a se elevar em pessoas com ansiedade crônica, depressão ou burnout.
Essa inflamação de baixo grau, porém contínua, contribui para a formação e progressão de placas de aterosclerose, comprometendo vasos sanguíneos e aumentando o risco de infarto e acidente vascular cerebral.
Não é coincidência que transtornos emocionais estejam cada vez mais associados a doenças cardiovasculares. É fisiologia.
Quando sinais emocionais viram sintomas físicos
Palpitações, dor no peito, falta de ar, sensação de aperto ou cansaço extremo nem sempre têm origem exclusivamente cardíaca. Em muitos casos, são manifestações físicas de sofrimento emocional.
Isso não significa que “é só psicológico”. Significa que o corpo está reagindo a uma sobrecarga emocional real, ativando respostas que impactam diretamente o sistema cardiovascular.
Por isso, a avaliação clínica adequada é fundamental para diferenciar causas cardíacas estruturais de manifestações relacionadas ao estresse emocional e, muitas vezes, identificar a coexistência das duas.
Ignorar esses sinais pode atrasar diagnósticos importantes, tanto do ponto de vista cardíaco quanto emocional.
Cardiologia e psicologia caminham juntas
Cuidar do coração vai além de exames, medicamentos e procedimentos. Envolve olhar o paciente como um todo.
A integração entre cardiologia e psicologia permite identificar fatores emocionais que aumentam o risco cardiovascular, melhorar a adesão ao tratamento e promover uma prevenção cardiovascular mais eficaz e duradoura.
Hoje, diretrizes internacionais já reconhecem a saúde mental como um dos pilares da prevenção cardiovascular. Não existe coração saudável em um organismo constantemente submetido ao estresse.
Janeiro Branco é sobre prevenção, não sobre fragilidade
Falar de emoções não é sinal de fraqueza. É sinal de consciência.
Cuidar da mente é proteger o coração. Esse cuidado começa com atenção aos sinais do corpo, prevenção ativa e escolhas conscientes no dia a dia.


