A possibilidade de uma pessoa desenvolver uma doença cardiovascular no futuro é chamada de risco cardiovascular. Essas chances são consideradas por diversos fatores, incluindo os genéticos, os adquiridos (como sobrepeso/obesidade) e as doenças associadas (como as autoimunes).
Pacientes com doenças autoimunes são os mais propensos as doenças cardiovasculares, é o que revelou um estudo publicado no The Lancet em agosto de 2022.
Antes de mostrar as descobertas dos pesquisadores, saiba o que são as doenças autoimunes.
Elas podem ser definidas como um grupo de doenças específicas que provocam a produção de anticorpos pelo sistema imunológico para combater componentes do próprio organismo. De forma simplificada, o corpo confunde células do próprio corpo com agentes agressores e gera um sistema de defesa, atacando ao próprio organismo.
As mulheres são as mais acometidas pelas doenças autoimunes, que representa uma das dez maiores causas de mortes delas, de acordo com o NEDAI (Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes).
Dentre as mais comuns estão: Lúpus, Artrite reumatoide, Doença de Crohn, Vitiligo, Psoríase, Esclerose múltipla e Diabetes tipo 1.
Por que as doenças autoimunes agravam o risco de doenças cardiovasculares?
O estudo liderado por Nathalie Conrad, Ph.D., de Leuven na Bélgica, avaliou pacientes de todo o Reino Unido com qualquer uma das 19 doenças autoimunes diagnosticadas entre 1º de janeiro de 2000 e 31 de dezembro de 2017 e que não tiveram incidência de doença cardiovascular nos 12 meses após a descoberta.
Após as avaliações, o grupo acompanhou a ocorrência de 12 casos cardiovasculares por cerca de 6 anos.
Neste período, entre 15,3% com doença autoimune e 11% dos pacientes sem o quadro, desenvolveram doença cardiovascular, com uma taxa de 23,3 e 15 por 1.000 pacientes-ano, respectivamente. Ou seja, os números mostram que, para cada tipo da doença cardiovascular individual, as chances foram aumentadas progressivamente com doença autoimune.
Taxas de risco de 1,41, 2,63 e 3,79 para uma, duas e três ou mais doenças, respectivamente. Pacientes mais jovens tiveram as taxas de risco de 2,33 (45 anos), 1,76 (55 a 64 anos) e 1,30 (75 anos ou mais).
Ainda de acordo com o estudo, a maior taxa de risco cardiovascular foi registrada para Esclerose Sistêmica, seguida por Doença de Addison, Lúpus Eritematoso Sistêmico e Diabetes tipo 1 (risco de: 3,59, 2,83, 2,82 e 2,36 respectivamente).
“O risco cardiovascular substancial observado em pacientes com doenças autoimunes, particularmente em grupos etários mais jovens, sugere que as estratégias para reduzir o risco cardiovascular devem se tornar uma parte rotineira do gerenciamento de doenças autoimunes.” (Autores do estudo)
Como realizar a prevenção e o tratamento adequados?
Pacientes diagnosticados com doença autoimune devem realizar o tratamento com os especialistas da sua doença junto aos cardiologistas para prevenir o risco cardiovascular. Ou seja, contar com um time do coração.
O ideal é que, logo após a descoberta, também sejam feitos os exames para identificação de fatores pré-existentes e para que seja recomendado o adequado tratamento e seguimento caso a caso.
Por isso, o Centro de Excelência recomenda realizar os exames anuais e cuidar do bem mais precioso: a sua saúde.
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