Dia Nacional Sem Tabaco: como lidar com a abstinência e abandonar o vício do cigarro

Grupo Sirius explica a implicação do hábito e dá dicas para revertê-lo em entrevista para a Revista Novo Tempo 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, no mundo, o tabaco é a causa de morte de mais de 8 milhões de pessoas por ano. Já no Brasil, mais de 150 mil pessoas morrem no Brasil em razão do consumo do cigarro. 

No Dia Nacional Sem Tabaco (31/05), nossa especialista em cardiologia clínica e oncológica, Ana Carolina Casmalla, explicou para a Revista Novo Tempo os malefícios do hábito de fumar para a saúde. 

Em entrevista, a médica cardiologista destrincha o tratamento multidisciplinar no combate ao vício do tabaco. Assista na íntegra: 

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Dossiê das Arritmias: entenda 

As arritmias cardíacas acometem cerca de 10% da população brasileira; um índice aparentemente baixo, mas em número absoluta, representa mais de 20 milhões de pessoas. Recém-nascidos, crianças, adolescentes, adultos e idosos estão entre as pessoas que sofrem com alterações no processo de condução dos estímulos elétricos naturais que fazem com que o coração funcione normalmente.  

Alguns pacientes recebem menos estímulo, fazendo com o que coração bata menos do que o esperado — bradicardia é o nome que se dá a esse tipo de arritmia. O outro, oposto, é a conhecida taquicardia, quando os estímulos ao batimento cardíaco são maiores e o coração fica acelerado. Nos dois casos, é preciso tratamento adequado para que o coração bombeie sangue de forma suficiente para a manutenção de todos os outros órgãos.  

Para a arritmia existem algumas opções disponíveis que são sempre recomendadas por um médico cardiologista depois de uma avaliação minuciosa na saúde geral do paciente. Entre essas soluções está a colocação de um marcapasso, tema que já foi abordado em outra reportagem e que vale a leitura mas que, de maneira simples, é um dispositivo que emite impulsos elétricos para regular os batimentos cardíacos por minuto. Pode ser uma solução temporária ou definitiva, a depender de cada caso. Além do marcapasso, medicamentos podem auxiliar casos mais leves da doença e casos mais severos pedem intervenção cirúrgica mais complexa e que inclui a implantação de um desfibrilador portátil para regular as batidas do coração. 

A medicina vem avançando cada vez mais e a virtualidade se une ao médico não só nos casos de tratamento, mas de diagnóstico. É o caso da tecnologia 3D, que permite um mapeamento em tempo real da situação coronária do paciente, proporcionando maior assertividade no tratamento e até mesmo mostrando como fazer pequenas ablações para o tratamento da arritmia. Como se vê, as opções de tratamento existem e variam caso a caso.  

O que é importante relembrar sempre: exames periódicos podem salvar vidas. Muitas das arritmias não são sentidas por serem assintomáticas e é no preventivo que o médico faz o diagnóstico. Faça seus exames de prevenção anualmente. Compromisso com você! 

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Prática esportiva: avaliação e liberação de um cardiologista é fundamental para a manutenção da saúde

É inegável a importância que a prática de atividade física (e aqui vale toda e qualquer atividade que tire o corpo de seu estado de repouso) traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental.  

Uma curiosidade sobre o assunto: a caminhada diaria é o primeiro tratamento recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS, sigla em português) em casos de depressão leve, daí entende-se a importância dos exercícios físicos. Mas é preciso compreender que é necessário buscar a avaliação de um médico cardiologista para a liberação da prática esportiva e, agora, te explicamos o porquê. 

Muitos diagnósticos cardiológicos são silenciosos, ou seja, assintomáticos. Isso significa que uma pessoa pode conviver durante anos com uma doença cardíaca sem sequer ter conhecimento sobre ela. Não sabendo sobre, muitos passam a realizar práticas esportivas de alto impacto que resultam em uma sobrecarga natural do coração (que precisa trabalhar mais para o sangue circular em um organismo em movimento) e isso pode ser o precedente para casos, como o dos jogadores Marc-Vivien Foé (2003) e Serginho (2004), que vieram a óbito em campo, após um mau súbito — quase sempre causados por uma doença cardíaca desconhecida e silenciosa.  

Como, então, praticar atividade física com segurança — seja ela de baixo, médio ou alto esforço? A palavra de ordem é uma só: PREVENÇÃO. Nenhuma atividade física — e isso inclui a academia do prédio ou corridas conduzidas por um personal trainer — deve ser feita sem uma avaliação cardiológica.  

Não é incomum que academias peçam um laudo para a liberação da matrícula de novos alunos ou façam exames dentro de suas instalações (e aqui cabe um adendo: ainda que esses exames sejam melhores do que não se submeter a nenhuma avaliação, não são capazes de diagnosticar muitas doenças cardiológicas, que colocam a vida em risco, daí a necessidade de visitar um cardiologista). Mas, infelizmente, também não é incomum que estes mesmos lugares acabem por “fazer vista grossa”, permitindo que seus clientes se exercitem mesmo sem a entrega desses laudos. 

A nossa recomendação é que você não deixe de buscar um exame de avaliação antes de iniciar qualquer atividade física, mesmo sendo uma pessoa jovem. É certo que doenças cardíacas acometem todas as faixas etárias, o que reforça a importância de que mesmo que a pessoa tenha 15 anos, submeter-se a exames cardiológicos (e, vale dizer, não-invasivos) para que a prática esportiva seja realizada com segurança. 

E mais uma vez: exercícios físicos devem fazer parte da sua rotina por ,pelo menos, 150 minutos semanais. Não estamos de maneira alguma incitando você a deixar a prática esportiva de lado, mas queremos que você a faça com toda segurança à sua saúde.  

Se você ainda não realizou nenhum tipo de check-up cardiológico, busque por um agora mesmo. Certifique-se de que sua saúde está em dia para que você possa aproveitar ainda mais a sua rotina de exercícios — e mesmo que você não tenha nenhum caso de familiar que tenha sofrido de alguma condição cardíaca.  

Aos pacientes de grupo de risco o alerta é ainda mais necessário: algumas cardiopatias são congênitas e não descobertas justamente por falta de investigação e podem colocar a vida em risco.  

Peque pelo excesso de zelo: a você e aos que estão ao seu redor. Cuide-se. Agende ainda hoje os seus exames preventivos cardiológicos. E conte com a Sirius para cuidar da sua saúde. Sempre. 

6h30: por que este é o horário de maior risco para desenvolver doenças cardiovasculares? 

Muitos estudos são conduzidos em diferentes universidades ao redor do mundo sobre o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e alguns resultados descobertos e divulgados são não apenas interessantes, mas importantes para conhecimento público. Uma dessas informações é o horário de maior risco de um paciente sofrer um infarto ou AVC: 6h30 da manhã. E por que isso acontece? 

A explicação está no que chamamos de Ciclo Circadiano: as respostas físicas, mentais e comportamentais que nosso organismo tem no período de 24 horas. Todas elas estão, em sua maioria, relacionadas à incidência de luz e escuridão.  

Um exemplo que esclarece esse resultado é o porquê sentimos sono quando escurece: a baixa incidência de luz solar faz com que o nosso corpo produza melatonina, hormônio diretamente relacionado ao sono. Além dele, fome, disposição e atenção são outros fatores determinados pelo Ciclo Circadiano. 

Mas e as doenças cardiovasculares, qual é a relação com esse ciclo de 24 horas? De acordo com os estudos, 6h30 é o horário em que a proteína responsável por retardar a degradação de coágulos de sangue, o ativador do plasminogênio inibidor-1 (PAI-1), chega ao pico. É exatamente essa proteína e seu pico no organismo que dão margem à resposta cardíaca que resulta em AVC ou infarto.  

O que é importante frisar aqui é que esses estudos apontam ser esse o horário de maior risco de um AVC ou infarto e não que esses dois fenômenos acontecem APENAS durante a manhã; uma pessoa pode passar por um desses eventos a qualquer hora do dia, especialmente se fizer parte de um grupo de risco. 

Prevenção, vale dizer, é a palavra chave. Cuide da sua alimentação, pratique atividade física diariamente, dê atenção ao seu sono e faça escolhas saudáveis. Não existe melhor remédio que a prevenção. Sempre. 

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Machine Learning: tecnologia aliada à medicina para promover ainda mais a saúde 

Não faz muito tempo que pensar em Inteligência Artificial parecia ser apenas uma realidade existente nos filmes de ficção científica. Mas a verdade é que essa tecnologia “invadiu” o mundo real e tem sido aliada em diferentes áreas, uma delas a Medicina.  

O termo “Machine Learning” já não é mais tão desconhecido, inclusive a muitos profissionais de saúde. Para quem ainda não teve contato com esse universo, ajudamos: “machine learning” é o nome dado para o desenvolvimento de softwares de aprendizagem que, uma vez carregado por dados, consegue fazer por si só a análise e interpretação do que foi apresentado. Uma combinação de base de dados e algoritmos cria um ambiente de forma que a máquina pode, sozinha, interpretar resultados e apresentar conclusões. Em alguns casos a ajuda humana é necessária, em outras as máquinas já operam com total independência. 

Se nos filmes de ficção a humanidade é rendida e escravizada pelas máquinas, em nossa realidade as temos como grandes aliadas, especialmente na Medicina. Na área de diagnósticos, por exemplo, usar a tecnologia Machine Learning permite uma triagem mais rápida – e muitas vezes mais precisa – o que pode facilitar os atendimentos emergenciais. E o impacto não é sentido apenas no andar mais rápido da fila de espera, mas na economia dos hospital e clínicas: o tempo de triagem impacta diretamente no número de pacientes atendidos por hora, por exemplo, o que representa certamente impacto nas finanças desses estabelecimentos. 

E não pense que somente a economia se beneficia do Machine Learning afinal, quando falamos em saúde o que importa é, em primeiro lugar, a vida. Com essa mesma tecnologia artificial é possível entender o comportamento de algumas doenças, permitindo avanços importantes com relação à prevenção e combate de alguns diagnósticos.  

Por isso, não se assuste se em algum hospital ou consultório médico você for apresentado a alguma tecnologia que trabalhe com Inteligência Artificial. Encare-a como mais uma ferramenta rumo à manutenção da saúde, prevenção de doenças e, mais do que isso, uma aliada ao seu profissional de saúde de confiança, este sim, não será substituído por máquina nenhuma já que, em Medicina – como em outras áreas da saúde – nada poderá substituir o atendimento humanizado.

Check-up: por que você deixou de fazer durante a pandemia?

“Prevenir é melhor do que remediar”, diz a máxima. Quando se fala em saúde não há prevenção melhor do que a realização de check-ups periódicos, especialmente em pacientes que apresentam risco para o desenvolvimento de determinadas doenças. Ainda que em muitos casos a realização de exames preventivos não impeça o desenvolvimento do diagnóstico, é em exames como estes que se detecta precocemente diversas doenças que apresentam prognósticos positivos de remissão.  

No entanto, uma pesquisa promovida e divulgada em julho de 2021 pelo IBGE constatou que dos mais de 211 milhões de brasileiros, 70,6 milhões não têm o hábito de fazer anualmente seus exames de controle. Este é um índice extremamente alto e que podemos reverter por meio da promoção e conscientização da importância da prevenção. Infelizmente o cenário pandêmico em que estamos inseridos desde o começo de 2020 não contribuiu para a diminuição deste número, pelo contrário: três, em cada dez brasileiros, deixaram o check-up de lado por medo da contaminação em laboratórios e clínicas médicas, de acordo com uma pesquisa promovida também em 2021 pela Ticket.  

Dr Jeffer Morais, diretor de Cardiologia Clínica do Grupo Sirius, atesta na prática o que dizem as pesquisas teóricas: “A experiência de quase dois anos convivendo com as restrições impostas pelo risco de contágio pelo coronavírus mostrou que as pessoas estão deixando de procurar os médicos para exames preventivos — sejam eles cardiológicos, ginecológicos, urológicos evidentemente deixando de fazer diagnósticos importantes e mesmo controles de doenças crônicas como diabetes e hipertensão”. O resultado dessa falta de cuidado é o aumento expressivo de óbitos que poderiam ser evitados por meio desses exames; 32% é o índice de crescimento de mortes em domicílio causadas por doenças cardiovasculares — um número que preocupa cardiologistas e clínicos gerais.  

É preciso que o paciente entenda não só a importância da realização destes exames preventivos (que você pode conferir no box da matéria), mas também sobre as normas rígidas de segurança e higiene que tornam clínicas, laboratórios e hospitais um ambiente seguro para a realização desses exames. “É preciso lembrar constantemente aos pacientes que seguimos em todos os locais que trabalham com saúde uma política rígida de manutenção e limpeza de ambientes e aparelhos — dentro e fora do cenário pandêmico”, explica o Dr. Morais.  

Aliás, especificamente pensando na pandemia do Coronavírus, é preciso exaltar ainda mais a necessidade desses exames periódicos, especialmente para aqueles que já foram acometidos pela doença. “Alguns pacientes que tiveram COVID estão com sequelas que ainda estamos aprendendo com o tempo — a chamada COVID longa. Encontramos algumas alterações cardiológicas, como miocardite, alterações pulmonares e neurológicas que necessitam de exames e equipes multidisciplinares para melhor recuperação”, explica Dr Jeff, que reitera a importância de buscar ajuda profissional mesmo ao menor sinal de um sintoma.  

Fica aqui o nosso alerta: com saúde não se brinca e protelar uma consulta ou exame pode ser a diferença entre a cura ou o agravamento de uma doença. Cuide-se. Faça os exames preventivos pedidos pelo seu médico de confiança. Tenha na Medicina uma aliada não só para a sua saúde, mas para a sua longevidade.  

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Saiba tudo sobre a Amiloidose

O nome complicado refere-se a um diagnóstico raro, mas que atinge cerca de 3 mil pessoas todos os anos somente nos Estados Unidos e que teve a primeira descrição na literatura médica há cerca de 200 anos. Alguns profissionais denominam de “doença”, enquanto outros preferem descrevê-la como uma “condição sistêmica”. Seja qual for a nomenclatura, a amiloidose tem como característica principal o acúmulo de proteínas anormais (amiloides), no corpo. Ao contrário das proteínas normais, elas são insolúveis e podem ser depositadas nos órgãos e tecidos. Os sintomas dependem dos órgãos afetados e podem incluir inchaço, fadiga, fraqueza, falta de ar, dormência e formigamento ou dor nas mãos ou nos pés, etc. Felizmente, cada vez mais tem-se descoberto sobre ela e, quando levada ao público, maiores são as chances de um diagnóstico ainda no início da doença. 

Quando há deposição das fibrilas proteicas no músculo cardíaco, temos a amiloidose cardíaca (também conhecida como síndrome do coração rígido), seu diagnóstico requer alto grau de expertise clínica para que seja feito de forma precoce, pois se não for tratada, pode evoluir de forma progressiva e letal. 

Importante informar que amiloidose não é contagiosa, ou seja, um paciente que é acometido pelo diagnóstico pode, e deve seguir a vida social naturalmente, sem medo de contaminar os demais. Dito isso, o alerta para o desenvolvimento da amiloidose fica para a hereditariedade (quando pessoas da mesma família já apresentaram o diagnóstico anteriormente), idade (a maioria dos casos acomete indivíduos acima de 50 anos), pacientes renais (especialmente aqueles que passaram por diálise prolongada), pacientes com diagnósticos de inflamações crônicas, como artrite e doença de Crohn, além de pacientes diagnosticados com Mieloma Múltiplo. Ao se identificar com esses grupos de riscos, faz-se necessário o controle preventivo a fim de detectar a amiloidose o mais cedo possível. 

As principais repercussões clínicas, que alertam para o diagnóstico, comprometem rins, pulmões e coração e são reconhecidas tardiamente, por isso apresentam pior evolução. 

Como muitas das doenças e condições raras, o diagnóstico da amiloidose pede investigação minuciosa em pacientes sintomáticos, especialmente porque os sintomas são — a princípio — semelhantes ao de tantos outros diagnósticos. Entre eles estão: 

● Perda de peso sem motivo aparente;

● Fadiga mesmo em repouso; 

● Falta de ar; 

● Inchaço nos membros inferiores; 

● Urina espumosa; 

● Formigamento nas mãos e/ou pés; 

● Constipação e diarreia de modo alternado; 

● Aumento da língua; 

● Formação de hematomas sem motivo aparente, especialmente ao redor dos olhos. 

As doenças amiloides são classificadas de acordo com o padrão e a extensão do depósito. Quanto ao padrão, podem ser divididas em adquiridas ou hereditárias. No que tange à extensão, os depósitos dessas proteínas anormais podem ser: localizada, com depósitos presentes em um único órgão ou sistêmica, quando afeta vários órgãos.  

Até o momento, foram identificadas 36 proteínas amiloidogênicas nos seres humanos, das quais 19 associam-se exclusivamente à doença localizada e 14 parecem estar consistentemente associadas amiloidose sistêmica. Curiosamente, pelo menos 3 tipos de proteínas podem ocorrer como depósitos localizados ou sistêmicos.  

O coração é comprometido em 50% dos casos de amiloidose, sendo que, dessas ocorrências, 5% são de forma localizada, ou seja, exclusivamente no sistema cardíaco, sem afetar outros órgãos. 

Os tipos mais comuns de amiloidose costumam ser definidos de acordo com suas proteínas precursoras. É válido ressaltar que a gravidade e a frequência do comprometimento cardíaco variam de acordo com as fibrilas depositadas na estrutura do coração. As mais encontradas na doença cardíaca são a transtirretina (TTR), que pode ser a hereditária ou senil; também chamada de selvagem e a imunoglobulina de cadeias leves (AL).  Assim, existem três tipos de  amiloidose cardíaca:  TTR selvagem, TTR hereditária e AL. 

A amiloidose cardíaca TTR senil é a mais frequente das três, especialmente em idosos e ocorre por anomalias no desdobramento e deposição da TTR, sem envolver mutação. A doença TTR hereditária, por outro lado, é uma doença genética com padrão autossômico dominante, sendo observada em pacientes mais jovens do que naqueles com a forma senil. 

Também chamada de primária, a amiloidose AL é a forma mais comum da doença sistêmica e está associada a um defeito na produção de imunoglobulina pelos plasmócitos. Pode ocorrer espontaneamente, mas é habitualmente associada a outros distúrbios sanguíneos, como mieloma múltiplo. 

O diagnóstico de amiloidose é baseado na demonstração histológica do depósito tecidual de amiloide por meio de coloração específica e é classicamente realizado pela coloração com vermelho-Congo, que, sob microscopia polarizada, apresenta uma birrefringência verde. Nem sempre as fibrilas amiloides são identificadas à microscopia eletrônica e, na verdade, seu achado isolado também não permite a confirmação diagnóstica. 

A biópsia deve ser preferencialmente realizada no órgão suspeito de infiltração amiloide, levando em consideração os riscos de complicações relacionadas a sangramento, a biópsia de reto ou de gordura subcutânea são as menos invasivas, com positividade de mais de 90% tanto nas formas primárias quanto secundárias. Outros sítios passíveis de biópsias são a gengiva e a medula óssea, que possuem sensibilidades de 80% e 50%, respectivamente. O uso de anticorpos dirigidos contra as proteínas fibrilares amiloides, por imunofluorescência e imunoperoxidase, pode facilitar a sua identificação. Porém, a positividade à imuno-histoquímica do amiloide não constitui método isolado de diagnóstico, havendo também a necessidade da confirmação pela coloração com vermelho-Congo. 

Mesmo rara, a amiloidose tem tratamento — especialmente quando descoberta ainda em fase inicial — consiste em controlar os sintomas que trazem mal-estar ao paciente e interromper a produção da proteína que causam a doença. 

Até o momento, a história natural da amiloidose sistêmica apresenta prognóstico e desfecho ruins, principalmente devido ao início tardio do tratamento. O reconhecimento precoce dessa doença, prevenindo o depósito de amiloide nos órgãos, é um dos fatores mais importantes para sua boa evolução. 

Os tratamentos disponíveis variam de acordo com a sintomatologia ou quadro clínico, a idade e até mesmo o tipo de proteína amiloide predominante. Drogas utilizadas na insuficiência cardíaca; uso de marca-passo nos distúrbios de condução; quimioterápicos para dissolução dos depósitos existentes e a redução da formação dos amiloides são opções nos casos de amiloidose cardíaca. 

É importante realizar o tratamento indicado pelo profissional de saúde não só para impedir maiores danos ao órgão ou sistemas afetados, mas também para promover mais qualidade de vida ao paciente. 

Mais comum do que a Medicina gostaria, doenças do coração são responsáveis por quase 50 mortes por hora do Brasil

Os números assustam: 17,5 milhões de pessoas morreram do coração no último ano, de acordo com a última pesquisa divulgada pela Organização Mundial da Saúde no dia 29 de setembro de 2021, dia do coração. Muitas vidas poderiam ser poupadas nesse montante se houvesse mais conscientização sobre a importância de cuidar da saúde cardíaca, mas ainda é grande o número de pacientes que sequer buscam atendimento especializado ou cuidam de seus hábitos como forma de prevenção.  

Aliás, é importante dizer aqui: muitas das doenças do coração poderiam ser evitadas se mudássemos o nosso estilo de vida, adotando práticas alimentares saudáveis, incluindo atividade física regular, controlando o estresse e consumo de tóxicos e dando atenção à higiene do sono. Outro fator decisivo que impacta no número de óbitos que poderiam ser evitados: o conhecimento. Saber quais são as principais doenças cardíacas e seus sintomas faz com que o paciente busque por um especialista e evite maiores danos.  

Conheça, agora, quais são as cinco doenças cardíacas mais comuns e seus sintomas. E lembre-se: ao menor sinal de que algo não vai bem, procure um cardiologista. 

1- Hipertensão Arterial: 

O nome técnico pode parecer desconhecido para alguns, mas “Pressão Alta” °— seu nome popular — descreve uma das doenças mais comuns relacionadas ao coração. Mais de 30% da população mundial (1 bilhão de pessoas, pelo menos) apresenta índices acima dos 130 x 80 mmHg. Entre os sintomas estão tontura, visão embaçada e dores de cabeça, mas é preciso alertar que ela pode ser assintomática — daí a importância dos exames preventivos. 

Vale dizer: mudanças no estilo de vida (alimentação saudável e com pouco sal e prática constante de exercícios) é o primeiro tratamento indicado em casos de hipertensão leve, quando os índices não ultrapassam 130 x 90 mmHg. 

2- Infarto Agudo do Miocárdio: 

Excesso de gordura não é um problema unicamente estético. Ele afeta diretamente a saúde do coração, especialmente quando o excesso de gordura impede a passagem do sangue das artérias para o órgão, ocasionando o que popularmente conhecemos como Infarto, mas cujo nome completo é Infarto Agudo do Miocárdio. O sintoma clássico é a dor aguda no peito, mas é preciso atentar-se aos pequenos sinais que o corpo dá: falta de ar, tontura, enjoo, sudorese.  

Importante: se você tem casos na família de pacientes que infartaram, atente-se aos exames preventivos cardiológicos anuais.  

3- Insuficiência Cardíaca: 

Essa é uma das doenças que pode se desenvolver em pacientes hipertensos, embora não seja apenas a hipertensão um fator de risco.  

Caracterizada pela dificuldade do músculo cardíaco em bombear sangue para o resto do organismo, a insuficiência cardíaca impacta no rendimento respiratório do paciente — deixando-o ofegante mesmo quando em repouso e causa inchaço nos membros inferiores.  

4- Arritmias Cardíacas: 

Um indivíduo adulto, em torno dos 35 anos e sem nenhuma comorbidade tem entre 60 e 100 batimentos cardíacos por minuto, conhecidos como “bpm”, quando em repouso. No entanto, esses números oscilam quando em situações de estresse, durante práticas esportivas ou em movimento, ainda que leve ou moderado.  

Considera-se arritmia cardíaca, ou seja, batimentos cardíacos irregulares quando os valores em repouso estão acima ou abaixo do intervalo médio. Bradicardia é o nome que se dá quando os batimentos estão abaixo do considerado normal e Taquicardia é quando os batimentos estão acelerados. Os sintomas variam de acordo com diagnóstico, mas é comum relatos de falta de ar, coração acelerado (no caso de Taquicardia) e respiração ofegante.  

5- Endocardite: 

O nome é complicado, mas o diagnóstico nem tanto: uma inflamação no tecido interno do coração causado por fungos ou bactérias, inclusive de bactérias que vivem na mucosa bucal e entram na corrente sanguínea, instalando-se nas paredes internas do coração. 

Febre e tosse persistentes e pele empalidecida são alguns dos sintomas da Endocardite, que pede tratamento rápido para não comprometer a saúde geral do paciente.