Dizem que a matéria-prima de uma mãe é o coração. Essa associação é feita porque o amor está relacionado ao órgão responsável pelo pulsar da vida — e a mãe é a representação máxima desse sentimento.
Desde o momento em que se descobre a gravidez, a mulher se torna mãe. E as mudanças vão além das físicas com a transformação do corpo para gerar a nova vida.
“Uma das maiores mudanças se dá no coração, que passa a bater mais forte pelo amor à nova vida.“
Entretanto, esse também é um período que requer muitos cuidados com a alimentação para uma nutrição correta, exercícios físicos para manter o condicionamento e a saúde da mulher, além de exames de rotina para acompanhar o desenvolvimento do bebê.
Entre as complicações que podem surgir na gravidez, as cardiopatias são as que ascendem o alerta aos especialistas, uma vez que são responsáveis por cerca de 10% dos óbitos maternos, de acordo com Lara A. Friel, PhD da Universidade do Texas Health Medical School.
Ela aponta que, embora haja sobrevida e qualidade de vida das pacientes com cardiopatias congênitas graves, para aquelas que têm diagnósticos de doenças de alto risco, como hipertensão pulmonar, coarctação da aorta, síndrome de Marfan, valva aórtica bicúspide, ventrículo único e função sistólica comprometida, cardiomiopatia e estenose aórtica sintomática grave ou estenose mitral grave, a gravidez é desaconselhada.
Estenose Mitral, o que é?
A doença se dá com o estreitamento do orifício mitral, obstruindo o fluxo sanguíneo para o ventrículo esquerdo.
A principal causa — e quase exclusiva, segundo os especialistas — é a febre reumática. Essa é derivada da faringite estreptocócica, muito comum entre os 5 e 15 anos de idade.
Como complicações, o paciente com este diagnóstico de estenose mitral pode ser acometido por hipertensão pulmonar, fibrilação atrial e tromboembolia.
O tratamento comum é realizado com diuréticos, betabloqueadores ou bloqueadores de canais de cálcio, os quais limitam a frequência, e anticoagulantes.
Porém, no estágio mais avançado, é recomendada a realização de procedimentos cirúrgicos, como valvotomia com balão, comissurotomia cirúrgica ou troca valvar.
A prova de que o amor de mãe supera obstáculos
Aos 27 anos, a empresária Marcia Mazzoni Matteoni foi diagnosticada com estenose mitral. Casada e mãe de dois filhos pequenos, a recomendação médica era que não engravidasse.
De forma simultânea ao início do tratamento, a paciente do Grupo Sirius há quase 35 anos, descobriu a gravidez de sua terceira filha e começou uma corrida contra o tempo para salvar a vida das duas.
“Quando recebi a informação fiquei com muito medo e apreensão. Porém, após muitas consultas e exames, meu quadro foi se agravando e decidimos por fazer a cirurgia mesmo sendo de alto risco”, relembra Marcia.
O primeiro procedimento foi um cateterismo que não surtiu o efeito esperado até que, no quarto mês de gestação, a cirurgia foi realizada — era junho de 1987.
Após 30 dias, a paciente teve alta e continuou o acompanhamento constante com os médicos comandados pelo Dr. Jeffer de Morais, diretor de Cardiologia Clínica do Grupo Sirius, que participou do parto e seguiu o tratamento após o nascimento da Bruna.
“Nesse ano de 2022, completam-se 35 anos da cirurgia. Ainda tenho acompanhamento regular, anual, com exames cardiológicos e de sangue. E só tenho a agradecer por todo o atendimento e atenção. Sem dúvida nenhuma, todo o sucesso do meu caso é fruto de um excelente atendimento do Dr. Jeffer desde o início dessa jornada”, celebra Marcia.